
O apagão de 14 de agosto de 2003 foi o maior da história dos EUA. E assim, como todo grande apagão, levantou muitas questões sobre o sistema de distribuição de energia.
De uma maneira geral, a rede elétrica é algo muito simples. Ela consiste em um grande conjunto de usinas de energia (usinas hidrelétricas, usinas nucleares, etc), todas conectadas por fios. Uma rede pode ser tão grande quanto a metade dos Estados Unidos. Consulte Como funciona a rede de distribuição de energia elétrica para aprender mais sobre as diferentes partes da rede.
Uma rede funciona muito bem como um sistema de distribuição de energia porque permite muitas divisões. Se uma empresa de energia precisa desligar uma usina elétrica ou uma torre de transmissão para fazer manutenção, as outras partes da rede podem fazer o trabalho dela.
Um fato muito surpreendente sobre a rede elétrica é que ela não pode guardar nada de energia em nenhum lugar do sistema. Em todo momento, milhões de pessoas consomem megawatts de energia. Ao mesmo tempo, dezenas de usinas elétricas produzem a quantidade de energia exata para suprir toda essa demanda. Além disso, existem todas as linhas de transmissão e de distribuição que enviam a energia produzida pelas usinas elétricas aos consumidores.
O sistema funciona muito bem e pode ser altamente confiável por muitos anos. No entanto, pode haver momentos particulares, como quando ocorre uma alta demanda, em que a constituição interconectada da rede faz com que todo o sistema fique propenso a entrar em colapso. Veja como isso acontece:
Digamos que a rede esteja funcionando muito próxima de sua capacidade máxima. Algo faz com que a usina elétrica pare de funcionar repentinamente. Este "algo" pode ser qualquer coisa, desde um grande relâmpago até uma falha nos rolamentos, o que faria com que o gerador pegasse fogo. Quando uma usina se disconecta da rede, as outras que estão conectadas a ela começam a funcionar mais rápido para atender a demanda. Se todas elas estiverem próximas da capacidade máxima, não vão conseguir dar conta da carga extra. Para evitar que ocorram sobrecargas ou falhas, elas também vão se desconectar da rede. Isso só piora o problema, e dezenas de outras usinas acabam se desconectando. O que deixa milhões de pessoas sem energia.
A mesma coisa pode acontecer se uma grande linha de transmissão falha. Em 1996 ocorreu um grande apagão no lado oeste dos EUA e no Canadá porque os fios de uma importante linha de transmissão se romperam, caindo sobre algumas árvores, o que causou um curto-circuito. Quando a linha de transmissão falhou, toda sua carga foi desviada para as linhas vizinhas. Então, essas linhas ficaram sobrecarregadas e falharam. Até que essa sobrecarga atingiu toda a rede.
Em quase todos os grandes apagões, a situação é a mesma. Uma parte do sistema falha e as outras partes também acabam falhando, porque não conseguem dar conta do aumento da carga causado pela pane inicial. As falhas múltiplas tornam o problema cada vez pior, e uma grande área acaba ficando na escuridão.
Uma solução para o problema seria obter um número significante de capacidade extra, construindo mais usinas elétricas, linhas de transmissão, etc. Essa capacidade extra daria conta da carga no momento em que algo falhasse. Essa proposta funcionaria, mas as contas de luz aumentariam. Neste momento, a sociedade escolheu economizar o dinheiro e correr o risco de haver apagões. Quando estivermos cansados dos apagões e das interrupções que eles causam, faremos uma escolha diferente.



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